quarta-feira, março 30, 2011

O impacto da tragédia terá consequências profundas no futuro do Japão

Por
Fernando Luiz Zancan
Presidente da ABCM (Associação Brasileira de Carvão Mineral)
Fonte: Portal Satc

Enquanto a atenção do mundo está focada na tragédia natural, com consequências humanas, do Japão, a situação tem implicações de longo prazo na recuperação da terceira maior economia do mundo, que dependerá do fornecimento de algo essencial a sua vida: a energia elétrica, destaca

O impacto desta tragédia terá consequências profundas no futuro da energia nuclear no Japão (24% de seu suprimento). Eletricidade é o suporte da economia japonesa, um dos países mais urbanizados do mundo (80 % da população habita em cidades) e Tóquio é uma megalópoles com 35 milhões de pessoas.

O Japão consome mais eletricidade que a Rússia e, per capta, mais que a Alemanha, França e Reino Unido, com a previsão de crescimento de 14% na próxima década. Cabe salientar que o Japão, por ser importador de quase toda a sua energia, é um país industrial e tem excelência em eficiência energética.

Sua matriz, bem diversificada, tem no carvão a base (27%) do suprimento de energia elétrica e 20% da energia primária, especialmente para produção de cimento e aço. O Japão sempre se beneficiou dos atributos do carvão, abundância, segurança de suprimento, preço e ajustável às tecnologias limpas.

Cabe salientar que 60% do carvão vem da Austrália e 77% do petróleo vem da OPEP. O Japão tem as usinas a carvão mais eficientes do mundo, 42%, enquanto nos países ricos é de 37%. A Usina de Isogo é uma das plantas mais eficientes e limpas do mundo, comparável a uma usina de ciclo combinado a gás.

Para atender a demanda crescente o Japão estava planejando atender 56% do crescimento da demanda de energia elétrica com usinas nucleares construindo 9 usinas até 2019 e mais 14 usinas até 2030. Será isso possível depois desta tragédia nuclear?

Como atender essa demanda?

O Japão é o segundo importador de petróleo no mundo. Com a oferta e demanda comprimida – preços altos - e instabilidade política do Oriente Médio, tem a geração de eletricidade mais cara.

O gás liquefeito, LNG (Liquefied Natural Gas), para substituir as nucleares, deverá competir com a demanda crescente na Ásia, especialmente da China e Índia, que tem somente 2% das reservas de gás.

A China pretende chegar a 8% de sua matriz com gás natural, importando duas vezes em 2020, o equivalente a produção do golfo do México. Neste cenário, segundo o Oil & Gas Journal, de 18/03/2011, “o Japão deverá, inevitavelmente, mudar seu foco da expansão do nuclear para o carvão”.

Ou seja, o velho e combatido combustível continuará sendo a base do suprimento da energia do mundo. Enquanto ONGs apagam as luzes de monumentos para “salvar o planeta”, o sofrido povo do Japão, sofre com a falta de energia elétrica e combate um dos piores desastres naturais de sua histórica com consequências nucleares.

¹Associação Brasileira de Carvão Mineral.

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